O Pessegueiro e a Espada.
Nesses dias quero firmar meu registro e contar minha história para que essa seja lançada ao mundo e que encontre abrigo no coração de quem está correndo os olhos sobre essas palavras que escrevo nesta.
Sou Joana filha de Enos, pai querido e amado que foi um dos grandes sacerdotes de Éfeso, guardião e semeador das verdadeiras palavras de Jesus. Éfeso foi minha casa durante muitos anos, sou nascida lá e constitui minha historia e família nessa cidade amada, ela é também um dos grandes pilares da Palavra de Deus. O grande sacerdote Paulo estabeleceu lá uma das sete igrejas da Ásia Menor e foi um dos fundamentos importante da história do corpo de Cristo.
Meu pai contava que nós, cristãos, nunca tivemos tempos de tranqüilidade igual há esses dias, não que esses tempos sejam de bonança e de paz completa, mas com as constantes invasões Persas sofríamos perseguições. Nosso exército sempre deveria estar em alerta, principalmente quando as investidas oriundas do Sul pelo império Arábico chegavam de forma surpreendente a nossa região.
Roma não era mais a mesma dos tempos de César Augustus, meu pai me contava que muitos anos atrás não podíamos declarar abertamente que éramos cristãos, pois era sentença de morte quem fosse contra a grande religião de Roma, muitos falavam que se descobrissem nosso amor a Jesus cortavam nossas cabeças em plena praça pública. Mas a misericórdia de Deus nos alcança e hoje a palavra do Senhor nunca esteve calcada em Religião, mas sustentada por relacionamentos íntimos com aquele que se sacrificou na Cruz para que esse mesmo Deus seja exaltado nos dias de hoje.
Roma não vive mais, o Grande Império do Oriente agora se chama o Poderoso Império Bizantino, sua religião oficial é o Cristianismo, e agradeço a Deus por ter a liberdade de cultuar ao Senhor nessas terras.
Meu pai morreu aos 58 anos no ano de 889 D.C, eu tinha 15 anos, e em seu leito ele me deu uma bolsa de couro contendo pergaminhos e escrituras hebraicas, gregas e em latim, ele estava extremamente enfermo, e dias antes de sua morte ele me disse:
- Não tenho ouro nem prata para te deixar, mas isso que lhe entrego é mais precioso que qualquer bem que eu possa te confiar, e que seus filhos possam andar nos ensinamentos do Senhor.
Mesmo com nossas orações e clamando a Jesus por cura ele veio a falecer de tuberculose naquele ano.
Ter a palavra de Deus em forma de escritura é um bem extremamente importante, os papéis só circulavam nas mãos dos grandes nobres que encontravam-se nos grandes palácios e tabernáculos. Meu pai havia me entregue algo muito raro e precioso, eram as escrituras com epístolas das cartas de Paulo, não eram as originais, mas sim, simples copias com o descrever das ações do Espírito Santo de Deus.
Com a morte do meu pai não era interessante que para uma menina de 15 anos continuasse solteira, isso era visto com maus olhos pela sociedade que me rodeava. Deus havia sido extremamente generoso com meu pai e anos antes do agravamento da tuberculose minha mãe, Dalila, deu a luz a um menino chamado Izanor, pois se não fosse Izanor a pequena propriedade de meu pai seria confiscada pelo Império, porque não era legal que uma mulher sendo ela esposa ou filha mais velha assumisse os bens da família, sendo assim eu teria que me casar ou o Filho mais velho assumiria os bens. Mesmo Izanor sendo muito criança, aos dois anos ele era o herdeiro legal de nossos bens, caso o caçula não viesse a herdar o governo ficaria com a propriedade e nós iríamos utilizar a propriedade como usufruto de meu pai, só que caso o governo requisita-se teríamos que entregar de bom grado, pois não havia patriarca entre a família.
Para sustentar a casa só havia uma saída, teria que me casar, Julia minha irmã mais nova tinha dez anos e eu era a única com idade apropriada para casar, assim pedi a Deus um homem que guarda-se seus princípios e que fosse realmente um homem de Deus.
Permaneci em minhas orações por mais de um ano, estava completamente desesperada, estávamos passando fome a mais de quatro anos, meu pai trazia o sustento como servo de Deus pelo salário que ganhava na igreja e também cuidava de uma pequena plantação que tínhamos em nossa propriedade. O que nos salvava é que minha mãe e eu cuidávamos dessa pequena plantação e íamos frequentemente expor nossos trabalhos na feira local. Plantávamos batatas, cenouras e hortaliças, mas o verão desse ano foi muito rigoroso e praticamente perdemos o que plantamos, nunca havíamos passado tantas dificuldades como nesses dias.
Em meu momento reservado com Jesus, estava a sós em meu quarto e clamei a Ele, suplicando que mudasse nossas vidas, chorando muito dormi praticamente ajoelhada, minha mãe com sua doce voz me ergueu do chão e me colocou em minha cama dizendo para me deitar, e completou falando que Deus nos ama.
Na manha seguinte fomos surpreendidas por nossa vizinha Maria que trazia em uma grande cesta, pêssegos, pão e muitos legumes, Deus havia escutado as minhas suplicas e estávamos muito contentes, ela não soube explicar, mas o pessegueiro havia dado bastante fruto e que os pêssegos iriam se estragar se não trouxesse para nós, além disso, também sentiu vontade de nos dar legumes e pão fresco já que havia preparado.
Ainda nesse mesmo dia não fui dormir sem antes agradecer ao Senhor o que ele fizera, e naquela noite Deus me revelou um sonho, uma ordem que deveria cumprir. Sonhei que estava em um lindo campo verdejante, com um grande pessegueiro no centro, eu me aproximei dessa maravilhosa e frondosa arvore, mas havia uma serpente nela que estava comendo seus frutos, e em meu sonho comecei a chorar por que os frutos estavam sendo comidos por essa serpente; ao enxugar as lagrimas de meu rosto de forma embaçada vejo um cavaleiro vindo em minha direção, montado em seu cavalo branco. Era um centurião do Império com um belo elmo, que cobria toda sua cabeça, e um grande escudo, assim ele para em frente ao pessegueiro e saca sua espada da bainha, eu podia ouvir o tinir do aço percorrendo a bainha, então com um golpe retira a serpente do pessegueiro; E olhando em meus olhos ele fala:
- Deus é contigo, não te aflijas, o seu pranto foi ouvido dês de lá dos céus. Amanhã prepare a tenda e leve seus pêssegos.
Quando acordei a manhã o dia estava resplandecente, um sol maravilhoso, e me enchi de alegria, estava muito contente, pois Deus havia falado em meus sonhos. Afoita foi acordar minha mãe, e a ela contei sobre meu sonho. Haviamos entendido que Deus queria que leva-se o que ganhamos da senhora Maria para vender na Feira de Éfeso. Fomos a nossa dispensa, logo nos deparamos com os pêssegos e os legumes e então minha mãe exclamou:
- Nós temos tão pouco, não será suficiente nem para trocar por alguma coisa, Como podemos expor alguns punhados de pêssegos e esses legumes?
- O que iremos comer essa semana?
Logo retruquei:
- Vamos mesmo assim, Deus está no controle!
A minha fé me consumia, eu e minha mãe preparamos e selamos nosso pequenino e velho jumento, ele estava em nossa família a muitos anos chavamos ele de Jibo, ele ainda tinha forças para carregar a carroça que levava minha mãe, Izanor e Juliana, assim como nosso punhado de produtos juntamente com a tenda para montar na feira local no centro da cidade. Então fui guiando Jibo até o centro de Éfeso.
Chegando ao centro tumultuado da cidade comecei a ajudar a minha mãe a montar nossa tenda, conhecíamos muitas pessoas que colocavam suas tendas na praça, tínhamos amizades antigas lá, mas muitos se surpreenderam porque havia muito tempo que não colocava nossos produtos lá na feira, senti que os amigos das barracas vizinhas se alegraram em nos ver. Ao terminar de montar nossa tenda colocamos nossos poucos produtos para a venda e logo percebi que muitos nos olharam, confesso que fiquei um pouco incomodada com a circunstância, e quando menos percebi os outros vendedores que estavam com seus produtos à venda começaram a trazer um pouco de seus produtos para nos. De repente foram despejando em nossa tenda ovos, e outro feirante nos trouxe pão, e assim foram trazendo, vegetais, hortaliças, aves vivas e animais, tecidos, vasos, flores, frutas e não tínhamos mais espaços para colocar coisas na nossa barraca, puramente foram nos abençoando. Eu falava que não era necessário, mas eles nem me ouviam, iam colocando na nossa barraca e meus olhos se encheram de lagrimas.
Estávamos maravilhados com tudo aquilo, não sabíamos como agradecer, foi tanta generosidade que eu só dava graças a Jesus. Logo a feira começou a ficar mais e mais movimentada, as pessoas perguntavam os preços das coisas e não sabíamos o valor exato e simplesmente fomos estipulando os preços, e naquela hora eu só repetia:
- Espírito de Deus, me ajude!
- Espírito de Deus, me ajude!
E o sonho com aquele soldado vinha a minha cabeça:
"Deus é contigo, não te aflijas."
Eu apenas olhava as moedas entrando e minha mãe recolhendo para bolsa, por um instante nós duas se olhamos e sorrimos felizes por Deus estar derramando suas bênçãos sobre nós.
Quando as coisas se aquietaram e a nossa tenda não estava mais agitada, em meio à multidão algo reluz e brilha com o reflexo do Sol, vejo um elmo e quando se aproxima percebo que eram dois jovens soldados, um deles para e pergunta quanto custava cada pêssego, ele pegou um pessego e quando o eleva até o nariz para cheirá-lo, nesse instante eu disse:
- São 1 Follis.
Respondendo-me ele disse:
- Pêssego é a minha fruta preferida!
Timidamente sorri, e ao fitar seus olhos sabia que tinha algo especial nele, pronto estava sentido um formigamento no estomago. Ele me perguntou se eu gostava de pêssego e respondi:
- Também é a minha preferida!
Então, perguntou meu nome e onde morava, senti que ele havia se interessado por mim, mas minha mãe percebendo o andamento da conversa nos interrompeu perguntando se ele não tinha trabalho a fazer, e ele então arregalou os olhos colocou a mão sobre a cabeça e saiu correndo, repentinamente, virando-se gritou:
- Joana, Eu voltarei a te procurar!
Decepcionada, vi-o se misturando em meio a multidão. Em seguida exclamei:
- Puxa mãe! Porque fizeste isso?
E ela resmungou:
- Sabes o nome dele?
- Esses soldados só querem aventura, não querem nada sério, se utilizam do poder para seduzir as donzelas.
E emburrada também resmunguei:
- Você nem me deixou perguntar o nome dele, como quer que eu case se não posso nem me relacionar?
- Eu vou arranjar um casamento para você, antes que seja tarde!
Em minha mente vinha o sonho que Deus havia me dado, sentia que algo bom estava por vir, em minha mente também só vislumbrava o rosto daquele jovem soldado.
Chegando em casa ao entardecer, contabilizamos nossos rendimentos e naquele dia fizemos 62 follis, 8 moedas de prata e 2 moeda de ouro, além dos alimentos que sobrou das vendas. Nossa dispensa estava farta e tínhamos dinheiro suficiente para passar 1 mês, isso realmente foi um milagre, muitos vendedores demorariam cerca de 10 dias para conseguir o valor que juntamos em 1 dia, simplesmente sabia que Deus era por nós.
No dia seguinte fui tratar de alimentar os animais e sobre a colina vejo surgir com seu elmo reluzente, montado em seu cavalo o mesmo jovem que havia me abordado na tenda. Ao se aproximar ele diz:
- Não disse que voltaria a te procurar?
De forma risonha por estar feliz em revê-lo novamente, respondi:
- Não falo com estranhos!
-Me desculpe, sou Andréas, Soldado do Grande Império.
- Que queres de mim “Soldado do Grande Império”?
Quando percebo minha mãe estava nos cuidado pela janela e notei a timidez tomando conta de ambos por essa situação, repentinamente escuto a voz de minha mãe:
- Entre soldado, vamos conversar. Tenho um pêssego para ti.
...
Fim da PARTE 1
Essa estória esta dividida em 10 Partes, para entender melhor qual é o contexto favor ver a publicação do do dia 25 de Abril "THE HOLY AXE" ou Click aqui
Eduardo Martins




Nenhum comentário:
Postar um comentário